segunda-feira, maio 29, 2006

Passengers


Sweet dreams are made of this
Who am I to disagree?
I travel the world and the seven seas
Everybody is looking for something





Cada pessoa é uma história, e cada história um sonho. Sento-me por vezes na janela e observo os transeuntes que passam, lá embaixo. Hoje está um céu cinzento carregado, prenúncio de chuva, e sopra um vento frio. Chegou o Outono, a época da melancolia e das castanhas vendidas na rua, e as pessoas caminham apressadas, curvadas e encolhidas, sem olhar para os lados. Por um momento imagino que ninguém que vejo sabe para onde vai, e depois penso que provavelmente é verdade. Ninguém sabe para onde vai, a não ser o próprio destino imediato. Pensam que sabem, mas andam tão desorientados e ao sabor da direcção das correntes como barcos de papel lançados ao mar.

Há uma avenida em Viseu que parece ter sido feita exclusivamente para o Outono. É larga, de passeios espaçosos, rodeada por árvores altas que cobrem tudo ao seu redor com um tapete de folhas castanhas. Sabe bem passear nessa avenida, com o casaco fechado, mãos nos bolsos, a apreciar quem passa, e espreitar as prostitutas gordas que resolveram abrir os centros de negócio ali. Ir à rotunda e seguir em frente, até casa, e tudo o resto que me espera depois.

Em 1756, Ludwig Schaefer, com 45 anos, inventa a máquina da felicidade, na cidade de Praga. O engenho, primitivo, baseia-se num complicado sistema de fios, juntas, roldanas, tubos de vidro, metal, e contrapesos movidos a vapor, que fazem circular uma mistura química especial em estado gasoso por canos moldados em círculo ao redor da máquina. O utilizador senta-se numa cadeira a uma das extremidades, e, à medida que o “fluido vital” começa a espalhar-se, respira o gás – resultado da combustão de uma mistela de variadas ervas, entre elas cannabis –, cuja fórmula se perdeu. Condensa-se uma nuvem vaporosa, de aspecto fantasmagórico, o utilizador é embalado pelo som monótono e reconfortante da maquinaria, e adormece em transe, sonha com mundos estranhos e magníficos, fantásticos, povoados de belas e dóceis criaturas. Sonha com amor e bem-estar, com tudo o que o deixa feliz.

Os planos iniciais de Ludwig seriam a comercialização do engenho, mas rapidamente fica tão viciado na felicidade mecânica proporcionada pelo derramar sinuoso do vapor, que começa a passar os dias envolto em nuvens intoxicantes repletas de visões de tudo o que a sua vida não é, negligenciando a família, amigos, vida social, refeições, sono. É encontrado por uma criada histérica em 1757, rígido e sentado na sua própria criação, envolto no nevoeiro dos fumos da felicidade. Está tão magro, devido à subnutrição, que uma pessoa de estatura média pode erguer o caixão sem esforço, e a sua pele apresenta uma coloração cinzenta, doentia.

Naquela noite, a criada, de nome Wilhemina, sonha que tinha recebido uma herança generosa e encontrado o amor perdido da sua juventude, e este a leva, numa carruagem de ouro conduzida por cavalos negros como a noite, a uma mansão nas margens de um lago que reflecte montanhas de cumes verdes. Acorda a chorar, já esquecida da carruagem, do seu amor, da casa no sopé da montanha.

Dado que ninguém sabe qual o propósito de tão inusitada máquina, esta é vendida juntamente com o espólio do inventor, em leilão público, e adquirida pelo dono de uma confecção de roupa, que a adapta para que funcione como tear mecânico.

Uma das roupas criadas na nova máquina – não mais da felicidade, mas sim do entrelaçar de fios coloridos em padrões de rara beleza – é regateada por um jovem escriturário, para a sua filha de nove anos. Trata-se de um casaco azul-bebé com desenhos intrincados de pequenos querubins de faces rosadas a pairarem entre flores psicadélicas. A pequenita – chama-se Natália e tem cabelos castanhos, em caracóis – gosta tanto do presente que adormece com ele no corpo, e nessa noite sonha que possui pequenas asas nas costas frágeis, e voa entre campos coloridos de flores que cantam uma canção, e lhe contam histórias belas, dolorosamente belas, com uma voz doce e sussurrante. Quando desperta, sem se lembrar do que tinha sonhado, traz uma sensação de vazio no peito que jamais a abandona, durante os 96 anos que vive.

Também eu sonho com lagos plácidos, muitas vezes pálidos sob o luar. Desconheço o simbolismo que carregam, embora calcule que a serenidade seja um elemento presente. Ou o desejo dela. Todos desejamos serenidade, mas não é curioso que nesta busca de serenidade – no amor, na vida, em quem amamos – provoquemos infinitas ondas e convulsões no tecido da existência? E quando a serenidade chega, deixamos nós de serenar, porque não fomos feitos para uma vida sem ondulação. Fomos feitos para a procurar, não para a viver.

Dizem que devemos adormecer com caneta e um caderno perto da cama, para podermos apontar os nossos sonhos antes que se esfumem na luz do dia. Que nos dá pistas para melhor nos conhecermos. Não me parece sensato. Não sei se quero recordar todas as vidas que vivo quando adormeço. Nem todas são agradáveis, mas são sonhos, e quem pode dizer o quão reais os sonhos são?

Em 1994 um homem que lê “Werther” na sala de estar é atraído para a janela pelo som estridente de pneus a chiar no exterior. Afasta as cortinas de um rosa pálido e vê um cão velho a ser atropelado na estrada mesmo em frente. O animal leva uma pancada forte nos quadris e rodopia como um pião, sem soltar um ganido sequer, até se imobilizar na berma da estrada. Tem as patas traseiras inutilizadas, e as tripas expostas, espalhadas no alcatrão como cordas banhadas em sangue.

Com crescente angústia, o homem vê o animal, claramente sem esperança de salvação, erguer o focinho salpicado de vermelho e, em gemidos carregados de dor, começar a arrastar-se em direcção à extremidade oposta da estrada, como se quisesse, antes de soltar o suspiro final, cumprir o seu último propósito na vida. Sem perceber que a pancada mortal o atirara justamente para onde tinha decidido ir, sem perceber que agora estava a voltar para o caminho já percorrido. É seguido de perto pelos intestinos vermelhos.

A travessia é penosa e prolongada, repleta de dores para ambos os intervenientes. Para o cão, dores físicas por carregar o fardo dos seus intestinos expostos, deixando um rasto rubro atrás de si. Para o homem que observa, a dor de compreender que tudo neste mundo é uma mentira, que não há salvação para ninguém, e que a estrada da existência está marcada por uma futilidade cósmica à qual ninguém escapa. Todos caminham sobre os passos que os levarão ao desespero final, com as tripas expostas e entre ganidos de dor.

Ao alcançar a berma de terra batida junto ao alcatrão, o cão levanta o focinho ofegante, como se desejasse avançar um pouco mais, e lentamente morre, com os olhos vidrados e a língua pendente. O homem sai de casa com uma pá e enterra-o no próprio local onde o animal tombou, deixando, como único testemunho da sua existência, um pequeno monte de terra, anormal no terreno liso. Chora compulsivamente enquanto executa a tarefa, e depois de terminar, contempla por breves instantes aquele pequeno alto no terreno, volta para casa, acaba de ler “Werther”, e suicida-se com uma caçadeira apontada ao queixo. O seu cérebro fica espalhado pelas cortinas rosa pálido, e ninguém chora a sua morte.

Dois anos depois a junta de estradas decide alargar o percurso, e coloca mais uma faixa de rodagem, em cada sentido. O monte que assinala a morte do cão teimoso desaparece para sempre, e nunca ninguém saberá que ele viveu e morreu.

Ninguém.

As pessoas passam e desaparecem nas esquinas, ignorantes ou indiferentes ao meu olhar. Deixo de acreditar que não sabem para onde vão, e ponho-me a criar vidas, a oferecer-lhes existências. A mulher bonita que passa, por exemplo, vai ter com o amante, mas não sabe que ele está neste exacto momento com a cabeça entre as pernas de outra mulher. Quando abrir a porta do quarto e observar a cena, vai ficar especada uns segundos, o rosto sem expressão, e depois recuar, silenciosamente, e fechar a porta sem que eles se apercebam que ela lá esteve. Naquela noite abre uma garrafa de vinho tinto, senta-se no sofá a ouvir “Wonderfull World”, e enquanto bebe pensa porque raios não consegue soltar uma única lágrima, apesar do peso imenso que traz no peito. No dia seguinte encontra-se com o amante e está feliz e sorridente, age como se nada se tivesse passado, mas traz uma tesoura na bolsa.

Aquele pequeno homem, de sobretudo, caminha em direcção ao melhor negócio da sua vida, e enquanto trauteia uma melodia baixinho imagina a noite que vai passar no casino, cheio de moedas e esperança e empregadas de seios enormes. Não consegue ver a corda a enlaçar o seu pescoço daqui a três dias, num quarto sujo de uma pensão, só tem sentidos para o som tilintante de moedas a cair em pilhas à sua frente. Está hipnotizado, sorri tolamente, e assobia canções felizes enquanto caminha.

Aquele outro, de idade avançada, encostado à porta do café, observa as raparigas que passam e sente um calor familiar nas virilhas. Coça os testículos com displicência, e diz a si próprio que a sua esposa, quarenta anos antes, metia qualquer uma daquelas moças de carnes expostas a um canto. Mas é uma pena que já não seja assim, e é uma grande merda envelhecer e sentir o corpo cada vez mais conivente com a puta da gravidade.

Em 2001 um pequeno sapo castanho, de nome Frederico, nasce nas margens de um lago que reflecte em miríades de fragmentos luminosos o sol intenso. Nasce num dia agradável e morno que precede a primavera, e a primeira coisa que o seu olhar encontra é a imensidão do lago azul-escuro, de águas frias e peixes mordazes. Pousa o olhar naquela imensidão de água parada, sem ondulações, e inconscientemente marca o seu destino, porque nasceu com a canção das ondas nos ouvidos, sem saber que era a melodia do mar que escutava.

Torna-se um estranho na micro-sociedade junto ao lago. Passa os dias à beira das águas calmas, sem dizer uma palavra para os seus irmãos irrequietos – tão irrequietos como sapos podem ser! – a escutar a canção das ondas, hipnotizado pelo suave marulhar, brum brum, incapaz de compreender a sua linguagem, surdo às histórias que ouve. Imóvel. Atento.

É alvo de chacota por parte dos irmãos – por parte de todos os habitantes da margem – mas não se importa, só quer escutar aquele som do qual desconhece a origem. Num assomo de amizade fraternal, é atirado ao lago, desprevenido, e salvo do afogamento pelos peixes arrogantes de língua afiada. O cuco louco que habita o carvalho velho rebenta em gargalhadas estridentes, semelhantes a ginchos - pensa Frederico com amargura e ensopado -, e de tanto rir cai dos ramos com a cabeça bem espalmada na erva, passando as duas semanas seguintes a resmonear imprecações profanas e obscenas.

Quando a sua família é devorada pela cobra que habita a colina sobranceira ao lago, Frederico foge num tronco podre, a flutuar pelo lago, e vive incontáveis e inenarráveis aventuras repletas de personagens estranhos e sedutores, até alcançar o mar, e morrer em êxtase, finalmente capaz de compreender a sua linguagem. Morre, e é tragado pelo mar que o chamava desde o seu nascimento.

Tanta gente que viveu antes de nós, e tantos que vão viver por incontáveis anos, muito tempo depois de qualquer memória de nós ter desaparecido. Imagina que há um lugar de onde os sonhos provém, e para onde vão quando os esquecemos. Um imenso depósito de sonhos, como uma biblioteca. Estão lá todos, até o sonho de infância daquela senhora roliça e carregada de compras, aquele em que vestia roupas da mãe e dançava no quarto, a imaginar que estava num palco e era aplaudida por milhões de pessoas histéricas. Quando as luzes se acendiam, via que estava nua, e corava de vergonha, embora secretamente excitada.

Imagina que este lugar está em perpétua mudança, que tem mil faces, e que tem um senhor, que cria e guarda os sonhos. É maior que deuses, porque já cá estava muito antes do ser humano os sonhar. Tem o semblante pálido e pouco propício a risos, porque sabe que os sonhos são coisas assustadoras que mexem no escuro e nos tocam com tentáculos viscosos, mesmo quando nos enganam e acordamos relaxados e felizes. Se morrermos num sonho, será que estaremos mortos todas as noites, quando voltarmos a sonhar?

Em 1956, um jovem estudante suíço – Pierre Cannopille – repara numa mulher de vestido arroxeado sentada num autocarro em direcção à periferia de Berna. Está de pé a um metro da passadeira, livros aconchegados ao braço esquerdo, a ajeitar a gola do casaco para se proteger do frio cortante, e por instantes alheia-se completamente da multidão e do trânsito. A visão é fugaz, marcada pela intensidade de olhares trocados, mas vai ficar para sempre gravada na memória. Apaixona-se irremediavelmente pela estranha.

Nessa noite vai a uma taberna de má fama, embebeda-se com cerveja ácida, e percorre as ruas da cidade durante horas, à procura da mulher púrpura, murmurando incoerentes poemas de improviso, ébrio de amor, louco de paixão. Acorda numa valeta, deitado em cima de dejectos de cavalo, com a boca pastosa e as calças ensopadas em urina, e recolhe a casa, cambaleante, para escrever a mais bela história de amor jamais escrita.

Enquanto escreve, nas semanas que se seguem, percorre as ruas da cidade, com a chuva a bater forte no rosto, à procura desse objecto de amor que apenas viu de relance, a imaginar uma vida em comum, a sonhar visões de amor eterno e recíproco, de uma mulher perfeita com lábios carmins, as formas generosas rodeadas por um vestido púrpura como nenhum pintor ousou criar. À medida que o livro que escreve toma forma, nota que não escreveu apenas uma elegia ao amor no seu estado puro – o amor do qual não se sabe se é correspondido – mas sim um hino a todos os sentimentos da humanidade, uma história capaz de comover e tocar o mais empedernido dos seres. Um conto que eternamente figuraria entre as mais belas criações do ser humano. Mas não se vangloria da sua obra, porque sabe bem que não foi ele que a escreveu: foi o seu amor, foi a mulher que viu de passagem. Lamenta-se enquanto escreve, mas não deixa de se embriagar todas as noites, e perscrutar todos os becos sombrios, à sua procura.

Terminada a obra sublime, que deliciaria a humanidade para todo o sempre, resta apenas o vazio, a sensação de espaço não ocupado por um sentimento que cada vez mais exige um vislumbre do ser amado, uma adição, mesmo que breve, da voz, um sentir de toque. Pierre acaba a sua história ao mesmo tempo que acaba uma garrafa de absinto, perigosa bebida porque nos confronta com demónios ocultos, e cansado, exaurido de tão fútil jornada, decide atirar-se da ponte mais alta da cidade, para as gélidas águas que nascem na montanha e atravessam a urbe. Os demónios do absinto acenam em concordância, e riem, escarninhos.

Pela última vez calcorreia as pedras que tantas vezes percorreu com um sentimento de expectativa no peito e palavras bêbadas nos lábios. A noite está silenciosa, o volume de folhas manuscritas ocupa um espaço reconfortante no seu peito, e nenhum transeunte interrompe o seu caminho. Quando galga o parapeito da ponte, nem um olhar de tristeza lança às águas negras, atira-se agarrado ao volume de folhas, sem mágoa, e afunda como uma pedra. O frio invade o seu corpo como agulhas.

É salvo por um barqueiro, que resolveu madrugar naquela noite, e levado para o hospital inconsciente, azul como as pedras da rua sob o luar. Quando acorda, a primeira pessoa que vê é a enfermeira, que também é a mulher púrpura de olhar intenso, desta vez vestida com uma bata virginal. Tem um sorriso quente, e olhar carinhoso que pede sossego e recuperação. Casam dois anos depois, e Pierre Cannopille vive o maior romance da sua vida (até entregar a alma ao rio, quarenta anos depois), mas o maior romance que a humanidade poderia presenciar… perdeu-se nas águas geladas do Aar, e só o mar o conhece, agora. As folhas de papel barato dissolvem como líquido no negrume, e a tinta torna o azul da água mais azul.

Todos temos os nossos sonhos. Coloquei aqui os mais prosaicos, aqueles que me motivam a registar as palavras no papel. Mas não são todos os sonhos que tenho, são só ideias que me perseguem durante dias, chatas. Sonho sobretudo com amor, e com lagos calmos ao luar. Até quando adormeço sonho com amor, e com pessoas que não conheço. E com que sonhas tu?

Com que sonham todos vós, quando ninguém está a ver? O que vos motiva para a vida, o que vos faz acordar do sonho para outros sonhos? Sonham com amor, sonham com uma vida melhor, sonham com dinheiro, com objectos materiais? Sonham que amam, ou são amados sem sonhar? Todos os sonhos são válidos, porque não interessa com o que se sonha. Interessa é sonhar.

Com que sonham?

Numa noite escura, de um tempo indeterminado, um comboio atravessa as planícies vazias. No seu interior transporta uma multidão de mulheres pálidas, vestidas com farrapos sujos, amordaçadas e cegas. Os trilhos que percorre são feitos de tempo, e pela noite prossegue o seu caminho, inexorável, em marcha acelerada e ruidosa, em direcção a uma noite mais sombria, em direcção a estrelas apagadas que brilharam em tempos.

Uma das mulheres estende o braço e coloca a mão através das grades de ferro que guardam as janelas. Não diz uma palavra, apenas sente os dedos trémulos, enquanto o comboio avança nos trilhos do tempo, sempre, sempre em frente. Ela sabe que é uma viagem sem regresso, mas também não sabe de onde partiu, nem onde está. O comboio resfolega, com esforço, e continua a sua marcha num tom ritmado e monocórdico.

Apenas quer adormecer, mas não consegue. Não sabe o que é a escuridão, porque foi sempre nela que viveu, e não conhece outra coisa.

1 comentário:

Lótus disse...

Olá ;)* Cá estou.. ando a fugir do relógio, mas ele apanha-me sempre :( .. reli .. já o tinha lido algures ..talvez no fórum .. ou acho pelo menos q já li ..será um deja vu??? ;D hihihi .. mas agora a sério .. muitas vezes dou por mim perdida a ver os outros e tenho q confessar q penso exactamente o mesmo .. que não sabem para onde vão .. q estão perdidos na sua busca desnorteada daquilo q pensam ser a felicidade .. enfim .. enganos!!!

Ando sem tempo para nada :( .. pelo q só vou ao fórum de vez em quando .. o Reboot tb deve estar com a mesma situação, não sei .. por vezes andamos desencontrados .. e depois, subitamente estamos lá todos outra vez ;)

vou tentar aparecer mais vezes.. mas não prometo, para não faltar ;p
bjokas ***